Turbilhão

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Monochrome -Dominique

Yann Tiersen

Bem, eu posso tentar Qualquer coisa, é o mesmo ciclo Que leva a nada e eu estou cansado Bem, eu perdi meu rosto Minha dignidade, minha aparência Tudo se foi Eu estou cansado Mas não se assuste Eu arranjei um bom emprego e vou ao trabalho Todo dia na minha velha bicicleta que você amava Eu estou empilhando alguns livros velhos de baixo da minha cama E eu realmente acho que não os lerei mais Sem concentração Somente uma bagunça branca Em volta de mim Você sabe eu estou tão cansado Mas não se preocupe Eu ainda vou a restaurantes e festas Com alguns velhos amigos que se preocupam comigo Me levam de volta pra casa e ficam lá Piso monocromático, paredes monocromáticas Somente ausência perto de mim Nada além de silêncio ao meu redor Apartamento monocromático, vida monocromática Somente ausência perto de mim Nada além de silêncio ao meu redor De vez em quando eu procuro por um evento Ou alguma coisa para lembrar Mas eu realmente não tenho nada em mente De vez em quando eu abro a janela E ouço as pessoas andando na rua lá em baixo Existe vida lá fora Mas não se assuste Eu arranjei um bom emprego e vou ao trabalho Todo dia na minha velha bicicleta que você amava Bem, eu posso tentar Qualquer coisa, é o mesmo ciclo Que leva a nada e eu estou cansado Bem, eu perdi meu rosto Minha dignidade, minha aparência Tudo se foi Eu estou cansado Mas não se preocupe Eu ainda vou a restaurantes e festasCom alguns velhos amigos que se preocupam comigo Me levam de volta pra casa e ficam lá Piso monocromático, paredes monocromáticas Somente ausência perto de mim Nada além de silêncio ao meu redor Apartamento monocromático, vida monocromática Somente ausência perto de mim Nada além de silêncio ao meu redor.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009




Pensamento



Vou pedir licença, antes que
Eu não possa mais

Ouço muito pouco
E sinto muito

À noite me perturba
Durmo pouco

Aproveito quase tudo
Mesmo assim, eu me chateio...

Pois meu pensamento
Não tem freio

Já são diversas madrugadas
Que de mim ele faz parte

E nunca parte, pensamento
Acho que tu me odeia

Não parece me pertencer
Creio que seja um louco

Me acorda todos os dias
Em todos os lugares
Onde fico

Vai prá lua ou para o
Diabo que o carregue
Pensamento desvairado

Me abandone, é o que peço
De repente é complicado

Te esqueço ou me despeço
Mas nunca parte.




A Sombra


A sombra me vigia
Dia e noite, a cada dia

Em todos os lados onde quer
Que exista luz

A sombra me vigia
Nos meus sonhos, nas loucuras
Que pratico

Viro bicho ou disputo
Meu lugar onde ela esta

E quando sonho que vôo
A vejo lá de cima
A me sugar

Paro em festas, em locais que de mim já não fazem parte,
Em busca de alguém que
Me entenda

Não me assombre com notícias
Esquisitas

Sinto o toque, sinto que minha
alma não pertence aquele lado

E do outro lado tu estas

A sombra, não me deixa
Ate que eu enlouqueça

E então peço que desapareça

Se me amas de verdade, diga logo
Antes que eu me esqueça que de mim
Você faz parte.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009




Descarado


Ontem um coração descarado resolveu se apresentar a minha pessoa. Parecia querer concorrer com minha inteligência, mas resolvi aceitá-lo. Naquele momento os olhares miravam nossa direção, ele me deu seu número e partiu. Fiquei atônito com o acontecido, pois do meu lado esquerdo um coração já não batia e fiquei com o coração na mão, corri meus olhares pela janela do ônibus tentando buscar algum sentido naquilo tudo e ao chegar em casa, lá pelas três da manhã, subi andar por andar com o coração na boca. Uma consulta sem propósito algum fiz ao ligar o computador, nenhuma mensagem havia, me dei conta que talvez quisesse me esquecer e partir, pois cansado da viagem estava ou estivesse em seu segundo sono. De um lado e do outro ficamos aguardando o termino da noite e ao amanhecer já havia partido.



Estação


Um buraco no meio da cama
Um vazio no meio do peito
Um buraco no meio dos olhos
Cegou tudo e hoje não vejo

Uma dor se estende à cabeça
Resultando em uma canção
Antes distante e tão perto
Hoje nem sinto suas mãos

Ontem o mesmo vagão
E hoje só esta canção

Um buraco no meio da cama
Um vazio no meio do peito
Um buraco no meio dos olhos
Cegou tudo e hoje não vejo

* Se saltasse em outra direção e não em minha frente, ainda estaria sorrindo procurando a próxima estação.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009





Turbilhão



A casa ainda precisa ser faxinada, pois muita coisa mudou de lugar. Seus olhos mudaram a direção, seu coração bate em outra velocidade e em meu peito um buraco feito pelo turbilhão arrasou todos meus órgãos, a começar pela língua que palavra quase num sai e esta toda mofada.
Um vento quente outrora bate em meu ouvido, mas existem muitas teias pelos cantos da parede que teimam em permanecer. Falo-te com toda sinceridade meu vento profundo, me arrase, me suspenda e acelere em mim o que parado esta e prometo organizar minhas coisinhas aos poucos, jogar fora algumas lembranças desagradáveis e um novo amor ofertar-me, já que o amor é meu e ele não pode levar.



Grão



Diante do espelho ao acordar verá aquilo que esconde do mundo, mas seu mundo, miúdo como um grão de feijão não germinará em terras longínquas, pois pássaros virão e a devorarão. Virão com eles os arleccinos voando em carroças diabólicas espalhando o terror pela redondeza.

sábado, 10 de janeiro de 2009





Arapuca



Hora de por a casa em ordem. È possível observar os buracos na barra do jeans que te emprestei para sair. Desde pequeno, muito pequenino, vejo meu pai com seus pássaros engaiolados e tristes, disse ele, que se os libertassem morreriam, pois estavam acostumados com o alimento fácil. Aqui, hoje nessa casa ruidosa de onde não consigo sair e bater minhas asas ouço o som que vem da cafeteira, parece mais seu ronco na madrugada, fui libertado mais estou sem rumo e vejo que fome quase não sinto, breve outro pássaro irá me substituir com um canto mais jovial. Pensando nisso, não dei um pio e voei com dor para as alturas onde os homens não hão de chegar, senti que o vento batia em minhas asas machucadas e passou a refrescar minhas feridas, de lá, vê o azul mais azul que a cor dos olhos meus e cego fiquei naquele momento. Um canto lamentoso ouvi ao longe e o desarmar de uma arapuca, me debati de um lado para outro ate me machucar. Cego já estava desde o começo e não sabia e talvez não tenha saído de lugar algum.



Distante



Em uma esquina qualquer próximo ao bairro fétido do centro fui encontrado e fisgado. Ainda com a boca marcada e borrada de sangue, tento me adaptar ao mal estar causado por esse transeunte ao qual acompanhei esse tempo fora d`água.
A imagem refletida no espelho chora por dentro e por fora. Nem quero lembrar das palavras que não ouvi sair da sua boca, mas que seu corpo fez questão de relatar. O mar me chama pela manhã, mas acredito não saber nadar mais e nada adiantaria me jogar em suas profundezas, pois é frio o bastante e escuro demais, com isso ficaria cego e me afogaria, por isso não brinco mais na correnteza, fico distante, porque do contrário serei arrastado por sua frieza.



Sustentação


O som que ouço ao longe passará sobre meus trilhos aparentemente fortes o bastante para suportar tal carga e irá partir como um pássaro parte, ora lá, ora aqui. Sem rumo algum resolveu parar exatamente em cima de mim, e ali ficou, inerte, vazio, talvez estivesse sem rumo, perdido ou com medo de virar-me e com isso acabei esquentando e me deteriorando aos poucos, foi quando resolveu partir. Mesmo com medo do próximo peso que viria fiz as contas para me reestruturar e me vi em cima das pedras que me sustentava e que talvez eu me atirasse um dia. Mentira seria dizer que sou forte o bastante para suportar outro trem. Verdade seria dizer que quero outro peso em cima de mim. Também preciso partir um dia e sei que meu peso não deixarei, falta das pedras sentirei, e ela também partirá e a terra ficará e assim quem sabe uma planta poderá nascer e florescer.